divagações de uma vida monótona
iulo . 23 . salvador . bahia . analista de sistemas . ex-misantropo
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[2.7.08]

por sinal

Eu tinha esquecido de contar sopre o japônes careca sem-vergonha que me apareceu na viagem pro Rio, em maio. Mas aí hoje eu lembrei, porque amanhã tô indo pra lá, again, só que dessa vez à trabalho. E, assim, viajar à trabalho é meio ruim, saca? Porque as cidades (como Maceió da última vez) são lindas e tudo, mas o esquema é super-cansativo. Porque você chega no aeroporto e vai direto para a empresa cliente/fornecedor da vez e fica lá o dia inteiro resolvendo as coisas e tal, e quase sempre sai bem além do seu horário normal de trabalho, afinal, as poucas horas no local têm que ser aproveitadas até a exaustão máxima do ser. Aí tarde da noite você pega um táxi da tal empresa e vai pro hotel. Aí não é bem a sua casa, saca? Ele até fica de frente pro mar, mas aqui em Salvador também tem mar, e eu meio que trabalho praticamente dentro dele, com sal na boca e tudo.

Então ficar hospedado em hotel de frente pro mar não é necessariamente a oitava maravilha do mundo or something. Eu nem choro, nem nada. Especialmente quando você está cansado pacas, e já tá escuro, e você só quer saber de dormir, e esqueceu o shampoo. E hotel, por melhor que seja, sempre tem aquele cheiro de casa de avó, sabe? Cheiro de lençol guardado há muito tempo. E você ainda não tem as manhas e macetes com o ar-condicionado, para saber que momento ele vai ficar brutalmente gelado de acordo com uma escala x de tempo; daí você acaba indo dormir com calor e acorda de madrugada quase congelado - praticamente sem pinto.

Ah, sem falar no sempre presente pânico de ser violentado durante a noite por algum funcionário inescrupoloso que eventualmente tenha acesso à chave do seu quarto. Ainda mais se tratando do Rio, né?, que o exército pode querer te entregar para os traficantes da facção inimiga. E baiano não é um povo assim muito querido, tipo, vida afora.. então, vai saber? Baiano só é lindo na sua própria terra. Aquela coisa; quando nego fala "ah, vamos pra Bahia!"; é aquela alegria, um fusuê, tipo "êeba, vamos para a Bahia, ver um monte de baiano, se esfregar nos baianos, suar com os baianos, passar acarajé no cabelo, vamo, vamo!". Mas aí, quando tem aquele lance de "olha, tem um baiano vindo pra cá", aí a galera já não tá mais tão na vibe assim. "Ah, baiano, gente? Aquele sotaque, aquele ser malemolente e com cheiro de moqueca de camarão? Ahh, o Caetano tava aqui semana passada já.. sei não, hein? Ihh...". Baiano só é lindo quanto há muitos exemplares juntos e som alto, pipocando. Ou então com mar. Baiano com mar é uma obra de arte. Esplêndido.

Mas então, em maio tava eu lá no pão-de-açucar com a magnânima patroa, vendo um monte de plantinha e ventinho e pedrinha e andando de bondinho. Tirando fotos, claro. Foto vai, foto vem. Eu tiro uma dela, ela tira uma minha. Aí passa o sem-vergonha do japônes careca, de mochila nas costas, que pergunta algo como "do you wanna help?, i can take a picture of you two". Eu respondo um "oh, no, thanks, it's ok" e sorrio simpaticamente. Ele faz aquela cara de quem está retribuindo a simpatia (afinal, ele nem sabe o que é um baiano, nem do que somos capazes), vai andando e larga um: "she is pretty, man!".

Pô, japa? Eu sei que ela é, né? Mas aí eu fico meio sem reação; nem deu pra largar o automático "i know, i know". Porque só no Rio de Janeiro, em cima do pão-de-açucar, é que você encontra um japônes de cabeça raspada falando (para você, o que é melhor) que sua namorada é bonita. Pior, só um japônes careca e sem-vergonha fala para você algo sobre sua namorada e conquista sua simpatia. Mas foi bom. Se você tiver lendo, japa, obrigado. Deve ter garantido o bom-humor da pequena pelo resto do dia - elogio internacional, coisa e tal. Mas assim, da próxima vai ter troco e eu solto um "thanks, weird bald japa safadão", seguido de um fluxo quente de dendê no olho. E tenho dito.

22:52 - - Idem:

[30.6.08]

mulher?

Na boa, esses são os 15 minutos de fama mais demorados que já existiram. E sem porquê, hein? Assim, ser gordinha e ter celulite tudo bem; existem mulheres assim que são lindas. Mas, cara, essa mulher passa dos limites. Essa ovação nacional sem cabimento algum... Mais uma vez, ninguém perguntou o que eu acho dela antes de fazerem essa zona no país. Claro, eu como bom formador de opinião (a opinião de minhas irmãs até quando elas tinham 8 anos de idade, ao menos) precisava ser questionado. Ela é simplesmente obesa. Ponto. Mas, afinal, esperar o quê de uma mulher que intula-se Melancia? Uma coisa redonda, ora. No entanto, o que mais incomoda é que ela é feia, tipo assim, PACARALEO.





Pare alguns segundos e reflita; olhe bem para a face deste ser saído das profundezas cariocas. Como assim, ela tem um problema mental na sobrancelha? Sério, ela é a irmã não-verde e cheia de dentes do Grinch:



Argh.

14:35 - - Idem:

[27.6.08]

dump.etc etc

Muitas vezes surgem algumas anedotas na minha mente, coisas que eu poderia dizer e causar risos. Mas eu me sento em meio às pessoas, e elas fazem um barulho de multidão, dizem mil coisas, conversam - um zumbido ininteligível aos meus ouvidos. Olho para frente, alheio à tudo, e meus pensamentos caminham de encontro a ela. Não há graça em fazer troça se não for o riso dela ecoando gostoso ao meu redor, não há sorriso no meu rosto se eu não puder olhar para ela em silêncio e dizer tudo isso que tenho para contar no mais profundo do meu suspiro. É que ela pode até não ser mais a pequena que segura as minhas mãos - mas o meu coração?, lá, com ela, ficou.

09:53 - - Idem:

[24.6.08]

kill me now

São 3h30 da manhã. Depois de anos assistindo Seinfeld - a conhecidíssima série sobre nada -, finalmente cheguei ao último episódio e a única coisa que me veio à mente foi: what the heck was that?! Cara, eu comecei a assistir Seinfeld na minha adolescência, através da extinta Directv, que reprisava os mesmos episódios over and over. Com a internet a cabo, e-mule e etc etc, comecei a assistir desde o começo, episódio a episódio. Nas madrugadas dos fins-de-semana, sempre assistia 2 ou 3 ou 4 ou 6 episódios antes de dormir, mas depois desse episódio final, simplesmente não tive sono. A série era minha salvação contra o tédio, quando a cabeça estava cansada demais para continuar o livro da vez, quando a paciência para sair já havia se extinguido ou os filmes da locadora não estavam disponíveis - e aí, 9 temporadas depois...

[SPOILER ON] Os 4 personagens principais terminam presos por causa de uma lei recém-criada que buscava punir qualquer pessoa que não ajudasse outra que estivesse "em apuros". No caso, os protagonistas nada fazem para ajudar um gordinho que está sendo roubado, numa demonstração máxima do sensacional egoísmo e indiferença tão presentes na vida deles durante toda a série. A segunda metade do episódio final consiste num julgamento ao longo do qual são trazidos inúmeros personagens de histórias ocorridas com os 4 - são as testemunhas e vítimas diretas das divertidas loucuras deles. [SPOILER OFF]

Vá lá que deve ter rolado alguma idéia supostamente genial por parte dos roteiristas (yeah, vamos dar um tom completamente surreal à coisa, vamos fazer troça, todo mundo vai entender), uma vontade de transcender a ironia - e isso seria totalmente aceitável numa excelente série que se baseia justamente na ironia e no sarcasmo em relação às pequenas coisas do dia-a-dia. But you know what? I DON'T GET IT.

Porque aí é que está: a graça da série residia justamente na sutileza surreal e sarcástica com que as coisas habituais eram tratadas. Esse final esdrúxulo deixou as coisas simplesmente mórbidas e secas. Eu assisti ao episódio angustiado, esperando o final chegar para que o Jerry finalmente despertasse daquele pesadelo (o que seria um final rídiculo para a sitcom humorística de maior sucesso já existente, mas ainda assim mais tragável do que esse desfecho forçado e sem sentido). Na boa, o final da série conseguiu ser pior do que o de Dawson's Creek (hahahaha, outro trauma, não vou nem falar à respeito).

Eu sei, eu sei, é absurdo eu estar falando assim de uma série que terminou há 10 anos atrás. Mas, cara, eu tô sentindo um vazio, assim, no peito, sabe?

o o o

Vou dormir. Espero que amanhã esse sentimento tenha ido embora e que eu entenda ou aceite tudo. Sério, eu tô puto.

04:23 - - Idem:

[13.6.08]

valentine's

Morram de inveja, que somente na Bahia você vai ao cinema com a sua pequena no dia dos namorados e assiste Indiana Jones praticamente ao lado de Luiz Caldas - esse MUSO nacional.

Tá bem, ele tem lodo e ficou conhecido através do axé, mas o cara tem a manha (vejam nesse vídeo).

o o o

Tieta, Tieta, nos seios de Tieta construí meu ninho
Na boca de Tieta morri como um passarinho
Tieta, Tieta, Tieta!

08:12 - - Idem:

[11.6.08]

charge it, clear, CABUNF!

Das piores coisas de todas as bad things que podem acontecer numa manhã, certamente a mais drástica delas é tomar um choque monstro, daqueles que o dedo faz um BZZZZZZZZZZZZ, e você sente vontade de gritar MÃAAAAAAAAEEE, mas se lembra que já é um rapazinho.

o o o

Se alguém sofrer uma parada cardíaca e precisar de um aparelho de ressuscitação, o chuveiro lá de casa está disponível. 5 reais.

09:33 - - Idem:

[30.5.08]

esquálido

Eu sofri uma tentativa de assassinato. Bruta e violenta. Inclusive. Estou deitado na minha cama, o relógio marca quase 23h00; flerto com o sono... Minha cama fica abaixo da janela, que por sua vez é adornada com uma persiana vertical que quase sempre está fechada. Com um olho aberto e o outro em crise, embaralhando as letras das páginas e sonhando acordado com mousse de maracujá, percebo que do meu lado direito, na porção inferior da persiana jaz um ganhafoto ninja, pronto para me dar o bote. Tá, não era bem um ganhafoto. Ganhafotos são gordos e melequentos, e rosnam. Era um bichinho bonitinho assim, um verde bem claro, acho que é o que chamam de esperança. Agora, veja que idéia, o animal tenta me matar e dão a ele o nome de esperança. Ele tinha que se chamar caos, destruição, infórtunio, terremoto ou qualquer coisa que o valha.

Eu tenho problemas graves com bichos e sujeira e afins. Eu lavo as mãos 326 vezes por dia. Evito afagos no meu cachorro porque obrigatoriamente, ao final, tenho de ir em busca de água e sabonete. Não deixo a namorada me pegar com a mão suja - sendo que o atributo mão suja é atribuído por mim de acordo com critérios altamente subjetivos e arbitrários - brigo com minha mãe quando ela me pede para pegar algo melequento na cozinha e não como pipoca no cinema. Isso para as coisas do dia-a-dia. Quando a situação envolve animais selvagens, ferrou tudo. Sou acometido por uma mistura de medo com asco, que se traduz em arrepios pelo corpo e um leve embrulho no estômago. A questão é que eu moro com minha mãe e duas das minhas irmãs, fato que me torna indubitavelmente o homem da casa; o macho-alfa, imbuído do nobre dever de promover a matança de seres estranhos que adentrem o nosso lar. Mesmo que isso signifique que eu precise tomar 6 banhos e ficar em estado de choque durante as 3 horas seguintes.

Bom, o grilo falante do Pinocchio veio me visitar e já tinha estragado meu sono, afinal eu havia saltado da cama e me colocado em estado de alerta total, prontamente preparado para qualquer hecatombe mundial que ocorresse em seguida. Acalmados os meus sexto e sétimo sentidos e a pulsação sanguínea que libera os meus poderes sobrenaturais, fiz a primeira tentativa de solução do problema, que foi devolver o meliante ao seu habitat natural. A essa altura, o habitat natural da criança era simplesmente o ar que preenchia o grande vazio exterior do 9º andar do meu prédio. Por sinal, como é que aquele jumento foi parar lá? Enfim. Com o bicho preparando o seu bote mortal na ponta direita da persiana, segurei a ponta esquerda e a levantei, com o intuito de elevar o grilo à altura da janela e assim poder desferir um golpe certeiro com o instrumento mortal de ataque dos Jedis urbanos (vulgo, sandália). Golpe este que mandaria o cretino para outra dimensão astral.

O legal é que, com a ação de elevar um dos lados da persiana, formou-se uma ladeira. O irracional do bicho certamente pensou que aquele era o momento ideal para fazer um hiking maroto e veio caminhando em minha direção. Simplesmente. Prontamente eu domei meu instinto interior de fuzilá-lo com uma emanação de cosmo supremo e baixei a persiana de volta ao seu ponto de origem. Ele, obviamente, ficou puto por ter a sua diversão interrompida, recobrou os sentidos e lembrou-se afinal qual era a sua missão: me assassinar. Jogou-se da persiana em minha direção, num vôo rasante e cruel.

Bravamente desviei-me da tentativa de estupro. O bandido bateu na minha perna direita e caiu no chão. Eu pensei: fodeu negão!, vou ter que interagir com o bicho. Por interagir, entenda: retribuir a tentativa de morte. Mas aí eu pensei que matar aquele grilo maldito iria acarretar na formação de um vatapá verde no piso branco do meu quarto. E depois eu teria que limpá-lo. Sem falar que o maior bicho que eu houvera matado na vida foi uma lagartixa, mesmo assim, quando da minha puberdade e a embriaguez de hormônios me dissera de maneira inconsequente, hipnótica e zumbística: pegue este pedaço de pau e mate-a, mate-a, MATE!, aí eu fui lá e, pimba, matei a pobre da lagartixa com uma paulada no meio do corpo. Fiquei 4 dias sem dormir, completamente traumatizado. Então decidi que não tentaria mais ser homem o bastante para matar qualquer ser-vivo maior que uma barata.

Dado esse pequeno histórico, tive uma idéia genial. Peguei uma camisa qualquer que eu já não usava com tanta frequência e joguei sobre o bicho, com o intuito de enrolá-lo e lançá-lo fora do meu reino. Vamos relevar que o grilo radioativo e fluorescente era detentor de uma inteligência infinitamente maior que a minha e conseguiu escapar da camisa por 2 ou 3 vezes. Na última tentativa, joguei a camisa, enrolando-a bem com os pés ao redor do cabrito verde, envolvi as mãos em sacos plásticos, capturei a camisa, dei uma leve apertada com o meu polegar opositor para o animal saber quem manda nessa droga. Dirigi-me até a sala, onde a janela é maior, e lancei através dela o conjunto de 60% algodão + 25% poliéster + 15% bicho que se encontrava em minhas mãos. A camisa foi e o grilo ficou.

o o o

Nessas horas eu sinto a imensa falta de ter um dragão de estimação chamado Toby. Simples: Toby!, pega o grilo. Solta o grilo. Toca fogo nele. Pisa. Morde de novo. Mastiga. Cospe. Incinera. Lambe as cinzas. Agora engole. Arrota. Isso, Toby - coisa mais linda do papai. Toma um biscoitinho, toma.

08:48 - - Idem:

[26.5.08]

beggining, back to the

Todos os cabelos vermelhos se tornaram uma sentença. Todos os olhos castanhos, um castigo. Todos os corpos pequeninos, um açoite sem piedade. Todas as costas alvas, um espelho, reflexo da minha estupidez. Todo cheiro doce, veneno inebriante. Tudo que há de belo nesse mundo é uma punição prontamente derramada, antes que eu possa sequer refletir sobre o porquê. Tudo me faz sentir a imensa dor de não ter te amado como eu deveria. Todos os sentimentos são meus acusadores, inimigos, detratores. Porque é bem verdade que nesse mundo somente amor não é o bastante. Mas é igualmente verdade que eu te amo. E o que faço agora, se todos os beijos são prisões?

09:11 - - Idem:

[15.5.08]

selvagem

Eu nem vou falar das coisas óbvias e sensacionais: o Rio de Janeiro é lindo, o bondinho é uma engenhosidade brilhante - não fui no Cristo porque a área onde fica o bondinho já violenta os seus olhos com uma quantidade suficiente de montes verdejantes para uma única viagem. Mas essa ida até lá me trouxe problemas graves: os primos da minha ilustríssima pequena tinham o jogo Rock Band inteiramente disponível para eu jogar. Cara, eu voltei do Rio deprimido. Eu necessito daquele jogo. Para a minha melancolia bruta e sem rumo, a porcaria do game só existe para plataformas de vídeo-game (PS2, PS3, Xbox 360 e Wii). Eu já não sou lá muito fã de video-game como nos tempos da minha infância/adolescência. Portanto, não justifica gastar 1.500 reais para comprar um Xbox, sem falar nas outras centenas de reais necessárias para comprar o Rock Band em si (outro vídeo aqui).

Para quem não conhece ou não entendeu, o Rock Band é como o famoso Guitar Hero. Um jogo que simula instrumentos musicais. As faixas coloridas na tela representam as notas/botões que você tem que pressionar para rolar a música. Enquanto o Guitar Hero só possui, obviamente, a guitarra (que é ridícula, por sinal), o Rock Band possui a guitarra, a bateria e um microfone (se você tiver mais uma guitarra, ela ainda pode funcionar como baixo). Mas a grande sensação do jogo, pra mim, é mesmo a bateria. Eu que sempre achei o instrumento algo impossível de tocar para uma pessoa tão sem coordenação motora e noção espacial, chorei só de poder fingir e me iludir que o menino não é tão difícil assim (na verdade é). Enfim, diversão garantida, vontade louca de comprar um só pra mim e a razão me dizendo calma, criança, calma. Bom, agora só resta esperar que saia uma versão do jogo para computador (não faço idéia de porque raios ainda não existe) ou seja, uma versão que não me obrigue a comprar um vídeo-game. Ou não.

Bom, já que o Rock Band representa um custo muito alto para uma diversão limitada (haja vista que eu não iria utilizar todo o potencial de um Xbox, por exemplo), volto minhas atenções para o surto capitalista anterior: Ipod Touch. Tela de 3.5 polegadas, multi-touch, 32 Gb de memória (flash), suporte a música+vídeo e conexão sem fio. Pequeninas lágrimas percorrem a minha face ao ver e desejar esse objeto multi-tudo e mais um pouco. Imaginar-me viajando, esperando a consulta do médico, indo dormir ou dançando a rumba enquanto assisto aos meus seriados favoritos, me causa um mini-orgasmo psicológico. As lágrimas produzidas discretamente pelos meus olhos são quase tão pequeninas quanto o precinho impraticável: 500 dólares.

o o o

Dizem que a diferença entre adultos e crianças é o preço dos seus brinquedos... considerando que eu não posso obter irresponsavelmente brinquedos maravilhosamente caros e sensuais, isso me dá o direito de chorar por eles para a minha mãe?

12:22 - - Idem:

[7.5.08]

pequeno descanso

Cada dia que passa eu me torno mais vadia, mais traidor dos meus não-ideais. Nem chegou no meio do ano e eu já estive em Maceió, Belo Horizonte e agora estou indo para a dengosa cidade do Rio de Janeiro. Munido de 3 litros de repelente, obviamente; e me falecendo de medo de traficantes salafrários (sabe como é, a crise, o sensacionalismo jornalístico, enfim). Domingo estou de volta. Feliz dia das mães para vocês. Não trabalhem muito, porque eu estarei descansando ao sol do Leblon*, tá bom? Juízo e cuidado com os problemas cognitivos. Eles mordem.

o o o

*Nem sei o nome do bairro que vou ficar, mas é certo que Banco Imobiliário mudou a minha vida ;D

08:24 - - Idem:

[5.5.08]

lack

Se você está por fora do assunto, o lance é o seguinte: o curso de medicina da UFBA foi mal na prova do ENADE. Instado a dar satisfações, o coordenador do curso flatulou na farofa e atribuiu o problema ao baixo Q.I dos baianos. Até aí nós teríamos ficados insanamente raivosos. Mas o amigo sem noção continua e diz que "o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais, não conseguiria". Aí é sacanagem! Eu que havia ficado puto, não tive como não rir. Na entrevista ele ainda diz que berimbau é instrumento para quem tem problemas cognitivos. Sensacional! A matéria você pode conferir aqui.

O mais provável é que os alunos tenham boicotado a prova do ENADE, essa arte de menino querer ser engajado politicamente. Ainda mais depois que passam numa federal e começam a andar pela faculdade de calça jeans e sandálias havaianas. O fato é que eu tenho alguns amigos e conhecidos fazendo medicina na UFBA e todos são lindos e inteligentes. Até porque, a concorrência e o nível de cabeludice daquela prova de vestibular não permitiriam que qualquer um entrasse no curso.

Enfim, o velhote se ferrou, teve que renunciar ao cargo, mas acho que a carta dele foi uma boa tentativa de se redimir (aqui). Não muda o fato de que ele errou feio, falou bobagem pra caramba - mas ao afirmar que "sou baiano, como de resto toda a minha família e os mais longínquos dos meus ancestrais" ele parece recobrar o bom-senso.

Acredito realmente que ele falou aquele tanto de asneiras movido por pressões externas e etc etc. Certamente ele estava puto porque alguma gatinha de medicina não lhe deu a devida atenção, juntou mais um tanto de outras raivas e atirou para todos os lados. Tá cansado, tadinho.

Não sei se ele vai continuar dando aulas, mas caso caia em ostracismo, espero que ele use do tempo livre para aprender a tocar berimbau, deitado na rede da sua casa, enquanto gasta o seu imenso Q.I para refletir e desvendar os mistérios do universo. Vai descansar, tio, vai.

o o o

E façam o favor de divulgar nos seus respectivos estados que isso tudo é mentira e que os baianos são lindos. Além de excelentes reboladores de bundas. E comedores de acarajé. E que somos pioneiros na avançada tecnologia de fabricação de redes. E problema cognitivo tem a mãe ;D

10:21 - - Idem:

[2.5.08]

no irony for you

Cara, eu acompanho House desde a primeira temporada e nunca conseguia me lembrar qual papel marcante o Hugh Laurie já tinha feito. Todo episódio era assistido com aquele sensação: de onde eu conheço esse cara mesmo? Agora destruiram tudo: li em algum canto que ele é o pai-mongol do filme Stuart Little. E aí embranqueceu-se aquele flash mágico na minha mente... putz!

Sério. Acabou. Perdeu todo o sentido. Toda vez que eu olhar para a cara do bruto do Dr. House vou imaginá-lo falando: um little hey, um little rá, um little aqui, um little lá... whatever, whatever - seja lá que babaquice era aquela. Vou passar o fim de semana em crise. Quero minha mãe.

o o o

Hei de comprar uma cobra naja só para alimentá-la de ratinhos brancos vestidos com mini-roupas coloridas. Morram ratos emos das profundezas.

12:30 - - Idem:

[30.4.08]

fatos do acaso

Mulheres, apesar de quase sempre; nem todo elogio é um flerte.

09:22 - - Idem:

[27.4.08]

dump.not supposed to be right

Me perdoem as pessoas que já disseram isso, mas quando alguém desabafa que há crise num relacionamento, ou distância ou término or whatever, a pior coisa a se falar é: vai dar tudo certo, vocês vão se acertar. Como assim? Quem disse que relacionamentos estão fadados a dar certo? Desde quando esta é uma regra? Se eu digo que estou em crise, ou estou triste, não tente me animar, não tente simplificar o que é complicado por natureza. Acho que isso é desperdício de palavras. Seu silêncio vai ser muito mais belo e importante pra mim do que meia dúzia de sílabas padrão organizadas numa sentença pobre. O vai dar tudo certo emitido torna-se simplesmente um ah, que pena; não quero me envolver, vou dizer qualquer coisa então.

E, generalizando, não tente dar conselho sobre coisas que você não entende, ou cujo o todo desconhece. Na melhor das hipotéses, seja gentil ao indagar o que o interlocutor sente, e do que ele precisa. Compreensão é a lei máxima nesses momentos. O resto é malabarismo sem porquê.

o o o

Nessas horas minha resposta ao como vai?, se resume ao estou bem.

18:36 - - Idem:

[23.4.08]

free time

Eu acho que copiar e colar - prática capitalista, sem vergonha, preguiçosa e anti-ética - a essa altura já deveria ser chamada carinhosamente de copiar e roubar.

o o o

Nota: comentários imbecis, genéricos e sem fundamento são sempre (nunca?) bem-vindos. Seja medíocre como bem entender, afinal isto (o país, não o meu blog; diga-se) é uma democracia. Yeah.

11:11 - - Idem:

[17.4.08]

bonding

O fato que mais me prejudica a socialização é a minha suave e plena intolerância para small talk. Eu não suporto superficialidade. Na verdade, eu sou fisiologicamente impedido de mover os músculos da face para conversar sobre banalidades. O grande problema é que qualquer relação social precisa se iniciar com uma lubrificação mínima, onde se fala sobre o tempo, sobre o time de futebol, sobre a ida até o shopping no dia anterior ou sobre a diversão do último carnaval. I can't. I just can't. Eu juro que me esforço, fecho os olhos por alguns segundos pensando em todas as trivialidades que regem o meu viver, mas não consigo construir uma frase que soe coerente e que exprima alguma opinião ou sentimento sobre qualquer um desses temas irrelevantes. Sempre falho.

Então, se você acaba de me conhecer e eu me mostro interessado em estabelecer um diálogo, please, me conte um problema. Fale de sua vida, conte da crise no namoro, da última briga com sua família, da vontade de comprar um apartamento, dos planos para o futuro. Apresente-me as suas dúvidas existenciais e fale sobre o que você crê. Shoot-me, assim, direto no peito; eu aguento, sem problema algum. Conte-me sobre como era triste ter um tio tarado que sempre queria te abraçar. Fale que você está entediado com a vida, revele que muitas vezes você se sente triste e só quer dormir mais um pouquinho. Abra um sorriso largo e desabafe: oi, hoje eu queria mandar tudo e todos para a puta que pariu.

o o o

E eu serei muito grato.

09:24 - - Idem:

[13.4.08]

dump.black leather

Agora eu resolvi começar a transpirar pelas mãos. Eu devo estar grávido e as alterações hormonais estão modificando todo o meu corpo. Eu me tornei o incrível homem multi-colorido da mão molhada. Minhas mãos ficam brilhando. Parece que eu brinquei com algum isotópo raivoso que emitiu ondas alfa-beta-gama, me transformando num super-herói, com super-poderes, super-úteis. Afinal, quantas vezes você precisou de uma mão suada e não encontrou uma disponível? Ahn, ahn? Te peguei, hein? Pode me ligar, ou lançar um canhão de luz aos céus nas noites de Gotham City que eu estarei por perto.

o o o

-Já acabou?
-Já. Droga.

12:25 - - Idem:

[10.4.08]

old.all sad

Ai, alguém faz o mundo parar. Me traz de volta as cores e qualquer cheiro. Ai, Deus, faz alguém me ouvir. Faz alguém falar comigo sobre coisas que valham à pena. Tira do peito essa melancolia que me engole por dentro. Alguém me ouve, alguém entende. Faz. Ninguém me juga. Que roubaram minhas gotas de luar e transformaram em samba qualquer. Me deixa só, e vai embora. Ai, Deus, não me deixa e me manda um consolo terreno, um abraço pequeno. Melhor, me tira a vontade de qualquer abraço. Isso, me deixa sem braços. Nem vontades de amores. Me tira toda essa carga e me dá sorrisos bobos, de canções pequenas, pequenas conversas. Mentes pequenas. Me espera, Deus. Por favor, me espera.

14:29 - - Idem:

[6.4.08]

dump.this modern love

Eu não quero amor que eu veja todo dia, incondicionalmente, sem escolhas. Que me ligue dia, tarde e noite pra saber se eu comi - se eu estou bem. Já estou farto de quantidade. Quero qualidade. Não quero intriga, não quero intromissão, não quero ninguém vasculhando as mensagens do meu celular; nem vou ler scraps de Orkut. Você lá, eu aqui. Confiando que se tem de ser, vai ser; sem neura e paranóia. Levando sempre em conta que o que tiver de ser feito pra ser bom e lindo e maravilhoso; farei. Não quero ler uma nova forma de eu te adoro a cada foto do seu flog, nem ter a obrigação de responder de uma maneira igualmente-diferente a toda declaração superficial que se pretenda fazer. Você não terá a senha dos meus sites, nem do meu e-mail. Afinal, pra que raios existiriam senhas? Eu vou ser o cara mais doce do mundo enquanto estivermos juntos. Mas eu não vou passar um minuto sequer no MSN trocando amorzinhos.bonitinhos.em.forma.de.bichinhos - especialmente se você morar ali ao lado, a um passo do meu abraço. Eu vou conquistar a sua mãe fácil, fácil. Se você não fizer um esforço pra se entender com a minha, se aguenta com o que vier depois. Eu quero amor que depois de ter passado muito tempo sem me ver, mesmo que eu me atrase 12.5 minutos além do combinado, fique na ponta do pé e me abrace como se eu fosse o único e último cara dessa vida, mesmo que eu ainda venha a ser só mais um - a bronca deixa pra depois, que nada disso é fim de mundo. Quero amor que sorria com ternura quando vez ou outra eu reclamar das minhas dores vãs. Que não me atormente por bobagens, que saiba do que realmente importa nessa vida. Que não grude, mas que ainda saiba que se for amor, vai ser tudo pra mim. Que tenha aprendido a demonstrar com o jeito e sutilezas. Sem shows pirotécnicos - nessa atormentação diária de idiotias.

o o o

Vai saber o que foi que houve no dia que eu escrevi isso.
Preciso aprender a colocar data nas coisas.

22:53 - - Idem:

[4.4.08]

old.chasing tails

Se há algo que eu gostaria de desligar em minha vida são os sonhos. Eu sempre tenho sonhos em momentos inadequados. Geralmente, meus sonhos são turvos, embassados, sem sentido. Acontecem em câmera lenta ou como se houvesse uma gravidade absurda sobre os meus ombros e eu não pudesse controlar minhas ações. Mas o problema não é esse. O problema é quando eu sonho com quem não gostaria de sonhar e consigo não só enxergar claramente, bem como ter controle sobre as minhas ações.

Ontem eu li num canto que saudade é ter o direito de esperar pelo que já passou. Sonhar é me obrigar a sentir saudade, de uma forma que eu nunca sentiria novamente se não fosse por sonhos.

Sonhar assim é acordar e pedir pra passar o dia fora de órbita. É relembrar que distância é contada em quilômetros e não em segundos. Meu subconsciente me trai e Freud se contorce no túmulo. Por que raios eu tenho que sonhar em quem eu não penso mais e voltar a sentir novamente? Sonhos me obrigam a relembrar coisas que, de alguma forma, eu coloquei num canto escondido da cabeça e do peito. Me obrigam a sentir coisas boas, a me sentir bobo; me fazem ouvir Damien Rice e esquecer todas as minhas raivas. O que é raiva numa hora dessas? Sonhos me fazem esquecer todas as minhas razões.

O fato é que eu acordei deprimido como sempre. É provavél que eu vá dormir do mesmo jeito. Mas, pela manhã, ao escovar os dentes e repassar o sonho na minha mente, eu me senti miseravelmente feliz. É engraçado e reconfortante conseguir passar em memória pernas, barriga, boca, conversas, risos e me sentir em outro lugar que não aqui. É ruim pensar em todos os beijos que eu não dei em alguém e imaginar se um dia isso poderia ser verdade. Mais complicado ainda trabalhar em frente ao mar e pensar em todos os beijos que eu não dei dentro dele. Com a areia percorrendo o espaço entre os dedos dos pés e a água preenchendo qualquer vazio que haja entre duas pessoas.

Mas é mentira, eu não quero desligar os sonhos. A felicidade doída e sem sentido dessas horas é suportável.

Porque meu presente continua insistindo em se tornar passado.
E vamos ao futuro.

o o o

Cause it´s not hard to fall
When you float like a cannonball

09:44 - - Idem:

[1.4.08]

old.crash

No dia em que a roubaram dele, o tempo parou como um pause em um filme. Uma cena sem foco girada em 360 graus. Um grito súbito de ódio sobrepujou qualquer outro sentimento que pudesse exisitir. Aliás, o ódio veio do momento em que ela se deixou roubar. Como uma apólice de seguro jogada pela rua. Nesse dia, derrubou tudo quanto pôde derrubar. Se desfez de todas as resoluções anteriores, de todos os poréms e de todas as certezas.

Um dia, com os sentimentos acalmados, se deu conta de que podia mudar o mundo todo, evitar lembranças e pensamentos, pintá-la de feia e má, fazer o que fosse; mas a beleza dela era intocável.

09:32 - - Idem:

[29.3.08]

shaking my bones

Para os que me perguntam: eu estou numa das fases onde internet se torna um lugar enjoado e chato. Orkut foi pro espaço sideral, ficar on-line no MSN não me causa nenhuma emoção (portanto não o tenho feito mais) e até postar no blog está ficando meio cansativo.

Mas hoje é dia de atualizar os meus anos de vida e, de repente, por alguns segundos, nem o número 23 parece mais ser condizente com a idéia de um rapaz com tal idade possuir um blog e cá escrever besteiras como essa.

Mas passa, sempre passa.
E logo, logo eu estou de volta.
Ao menos no blog.

Portanto, parabéns pra mim.
E esse ano a Marylin não pôde se fazer presente.
Saudades daquela danada.

22:24 - - Idem:

[18.3.08]

backstreet fighter deluxe

O problema em voltar de viagem é que, parece, você tem a obrigação de provar às pessoas o quanto você se divertiu e fez todas as insanidades possíveis em outras cidades e, especialmente, como você gastou todas as suas horas em saídas absurdamente longas e distantes. Assim; você viaja centos mil quilômetros para chegar ao local de destino. Lá, você ainda tem que percorrer outras mil trezentas e quarenta e sete milhas e conhecer 400 lugares pro treco valer a pena? É nessas horas que a misanstropia fala mais alto. Me deixem, hein =)

Mas vai lá, parem de encher o saco, pois, sim, eu me diverti pacas. Não da maneira que muita gente se divertiria, mas pra mim valeu muito. E agora o ônus de abandonar o blog, não comentar no de ningúem e nem fazer propaganda do meu endereço virtual: número de visitas em franco declínio. No período áureo da minha vida de internet, eram cerca de 50 visitas diárias. Agora estamos indo para 24 e caindo. Uma belezura. Como nem no MSN eu apareço mais, a tendência futura é o exílio generalizado e apocalíptico.

Sobre a viagem, cabe dizer que, dentre os mongolismos generalizados, eu dei susto em cachorro (com um grito), zerei God Of War II e Resident Evil 4, além de ter sofrido um processo de raspagem capilar nas minhas axilas. Literalmente. E eu ainda esqueci de ligar pro Ed. Quando lembrei, me deu preguiça. Nada como possuir uma essência fortemente anti-social. Como ele também a possui, ficamos todos felizes.

Nota: a rua do amendoim é uma farsa. Ela mente.

o o o

Hip, hip? Hurra, meu..
De volta ao batente.

09:09 - - Idem:

[1.3.08]

uai

Arriba, muchachos! Viajo hoje para Belo Horizonte e lá ficarei comendo pão de queijo até o dia 13 de março! Aproveitem suas férias [pausa para risadinha maléfica]. Ou não [pausa para cara sonsa de desprezo]. Eu vou aproveitar as minhas ;D

O blog vai ficar parado durante esse tempo. Mas já que você está aqui, vai ler os arquivos, ver um vídeo [links lá em cima, ó] ou deixa um comentário abaixo, que eu prometo não responder. Nem sob tortura. Beijo do tio e se comportem, hein?

00:08 - - Idem:

[24.2.08]

do dia-a-dia

Em uma das padarias onde obtenho o alimento sagrado - pão - há uma promoção muito interessante. Um cartaz feito manualmente, afixado em local onde todos podem ver, emite a seguinte mensagem: pão dormido - 10 centavos. Sensacional. É que eu frequento somente locais da mais alta estirpe. Sou praticamente um lorde inglês. Um Legolas brasileiro, uma Ana Maria Braga nordestina. Praticamente.

19:07 - - Idem:

[21.2.08]

dump.pictures

Te amo - não posso mais. Na minha contumaz vontade, não me convenço de que mudou. Não existe; tudo o que eu queria era uma chance para estar perto. Não para tornar tudo belo mais uma vez; mas para provar o sabor acre da tua pele e ouvir com desdém os gemidos que saem do teu peito; o som da sua costumeira voz, pausada e milimetricamente pontuada. Em pequenos arroubos esquentar o fluído frio que percorre a tua espinha, esse desconhecido vazio que gela teu coração, assim, como um espasmo involuntário que faz parar o tempo. Cravar sem dó os meus dentes na tua carne, estrangular com minhas mãos o seu corpo macio, que é a mais perfeita tradução do desejo. Sorver com vontade tua saliva azeda, me lambuzar com teu desamor; sentir com a língua cada pedaço teu que agora detesto e, de olhos fechados, atestar a todos os meus cegos sentidos que não te amo mais. Que nunca amei esta mulher nua que perambula meus ainda adolescentes devaneios. Que amei aquela menina, que há muito não existe.

08:56 - - Idem:

[18.2.08]

old.quando é que tudo foi desabar?

Acordou zonzo, sentindo aquela dor lacinante no peito. Quis evitar, fechar os olhos novamente e esquecer que tinha de viver um novo dia. Mas era impossível. A luz já atravessara a janela do seu quarto como uma visita inesperada que aparece sem ligar, lembrando que a hora certa já há muito havia se passado. De qualquer forma, o mundo não parava para escutá-lo ou acudí-lo. Levantou calado, como se tivesse sido esquecido em uma viagem feita por todos.

Eram as noites tristes de sabádo que exalavam romance e amor por todos os cantos. Eram as luzes fracas das estrelas no céu urbano e uma lua linda que insistia em causar inveja. Era um futuro embaçado e insosso, cheio de suspiros. Era o vento frio que trazia um consolo solitário ao soprar de longe. As colchas de solteiro que pareciam grandes demais pra uma pessoa só. O chão que se tornou duro, mas sempre fora tão confortável para qualquer coisa. Eram fotos em preto e branco, era o receio do passado e o soluço do presente. O presente que parou enquanto as coisas não se colocavam no lugar - a falta de palavras nunca se fez tão presente.

Era sempre assim. Ao levantar, ao acordar, no decorrer do dia. Como se, quando menos esperasse, levasse um soco no lado esquerdo do peito e o coração parasse de bater. E quando batia novamente, como se o mundo todo entrasse em seus pulmões de uma só vez. A dor maior era recuperar o fôlego, que nunca quis voltar.

Não aguentava mais.

00:15 - - Idem:

[14.2.08]

sinking ships

Faz mais de um mês que eu tô numa crise psicodélica de rinite/sinusite - quem tem, sabe como é. Da última ida ao otorrinolarinoginecologista saí com a receita de um creme vaginal e um tal de Salsep. Depois de ler a bula, fiquei impressionado em como eles conseguem transformar uma porcaria que nada mais é do que água misturada com sal em um super-incrível-mega derretor de meleca, utilizando-se para tal de uma linguagem super rebuscada e quase-científica. E ainda com figuras para ilustrar o uso do treco. Isso que eu chamo de agregar valor ao produto. Porque nada mais é que um soro fisológico 4 vezes mais caro.

Ah, e sempre vá a emergências inúteis. Onde já se viu, emergência de otorrinolaringologia? Doutor, estou morrendo, essa gripe não me deixa... alguém me ajude! Digam a minha mulher que eu a amo! Gaaahhhh! Mas o legal é que, por sua natureza inútil e praticamente irrelevante, a clínica coloca residentes para atender (segundo as más línguas). Residentes tais que, por sua natureza semi-profissional, são muito mais bem-humorados que os colegas já bam-bam-bams e deuses super-supremes da medicina e do mundo em geral. E do universo e além.

o o o

Adoro o capitalismo.

14:25 - - Idem:

[12.2.08]

old.white shadows

Enfrentou dragões armado com gravetos em mãos. Lutou lutas vãs e sem porquês. Prendeu camisas com botões de flor. Soprou beijos em silêncio cortês. Deitou-se em gramas azulejadas sem cheiro. Correu por sobre ondas rosas de sonhos eternos. Chorou feridas feito criança. Viu um monstro crescer dentro da sua barriga. Ou seria no coração? Entregou-se inteiramente, e sem soltar as mãos, a emoções sem cabimento. Golpeou a muitos na caminhada. Arrependeu-se e sorriu sem jeito. Abriu os braços por abraços vãos. Deu abraços sem graça, assim de lado. Deu abraços de verdade, apertados e com carinho. Amou mulheres inexistentes e talvez tenha sido amado por elas também. Viu cada uma delas sumirem entre seus dedos da mesma forma que apareceram, como neblina se desfazendo com o calor da praia pela manhã. Amou as mulheres de verdade e viu que não era tão fácil assim. Continuou caminhando. Escreveu canções, permitiu-se desafinar. Rasgou papéis. Jogou fora lembranças. Engoliu ciúmes e passou mal. Chorou quando devia. E quando não devia ainda mais. Tomou a iniciativa de contar seus segredos banais. E ouviu trivialidades sem fim. Abriu os olhos procurando por um novo dia. Fechou os olhos ao percorrer palavras pelas letras do teclado. Sentou-se no chão, olhou para os lados, não encontrou ninguém. E só pôde dizer: Deus.

09:57 - - Idem:

[6.2.08]

tu-tu-tu tu pá!

Assim, eu acharia mágico se o Sherlock Holmes ao invés de falar elementar, meu caro Watson; dissesse: elementar, cumpadi Washington. Caraca, eu ia chorar.

15:42 - - Idem:

[27.1.08]

dump.yearn

Das lutas que travei, as maiores ganhei por ti. Vencendo lutas contra contra a imaturidade, derrubando dogmas, convicções, orgulhos. Venci o tempo, crescendo, te amando, te querendo a cada pôr-do-sol. Venci a luta da distância, dando passos largos, seguros, trilhando caminhos em meio à dificuldades invisíveis. Venci medos, ciúmes, venci outros tantos amores. Me fiz gigante entre coisas pequenas, abracei o mundo todo. Venci falando do amor pra você como ninguém. Venci o próprio amor, mostrando a ele que maior sou eu, que o guardo no meu peito. Venci a você mesma, pequena, fazendo teu coração bater baixinho por mim nos últimos minutos antes de adormecer. Te venço todas as vezes em que deseja meus dedos tocando a sua nuca, enquanto te beijo doce e terno. Te venci quando me deixei vencer pelo teu amor, quando me entreguei e não escondi de ninguém: amo mais que tudo.

E quantos ventos mais, quantas pedras e temporais, quantos muros, quantos letras e palavras, quantos sonhos e dores; o que mais falta para você me permitir te fazer feliz?

11:59 - - Idem:

[23.1.08]

sobre a volta

As pessoas daquela cidade são educadas e formais de maneira excessiva. Sério, vão injetar um pouco de dendê no sangue, minha gente. Em menos de dois dias eu já estava louco pra voltar para a minha terra e ouvir um coléeeeeee, negão? Foi então que me dei conta de que eu nunca fiz o número 2 dentro de um avião. Esta é uma experiência a ser cumprida na próxima viagem. Assim, é básico pô. Todo mundo tem que fazer. Agora, nunca invente de comprar um milkshake minutos antes de embarcar, porque os caras SIMPLESMENTE passam seu copo de Ovomaltine na MÁQUINA DE RAIO X. Isso é uma blasfêmia. Tomara que tenham alterado a composição molecular daquele treco e nasça, sei lá, uma barbatana no meu umbigo. Vou processar o aeroporto e ganhar viagens gratuitas por toda a minha extensa vida. Inclusive, eu preciso parar de assistir Lost. Mas o que eu ia esconder dentro do milkshake, ahn? Só por causa disso vou virar traficante de órgãos. Afinal, quem precisa de shampoo quando se é um rastafari?

18:33 - - Idem:

[22.1.08]

praias são todas iguais

Eu acho assim, que ser chique custa muito caro. Porque tomar café da manhã no aeroporto (de Salvador, ainda por cima), e pagar DEZ REAIS por um pãozinho delícia, um pão de queijo e um suco de laranja é pedir pra ser violentado. Tudo porque eu não estava afim de tomar café em casa. Eu acho que, assim como o meu bairro tem um fuso horário próprio (o relógio/mostrador de temperatura da bolandeira é o único que está 10 minutos atrasado na cidade toda - legítimo baiano), os aeroportos têm uma inflação toda particular. Legal mesmo é quando ninguém te fala que nem todo hotel tem aquele vidrinho de shampoo e você, já de saco cheio de arrumar mala, não leva o seu. O rapaz da recepção me disse ao telefone que tem no posto de conveniência, ali perto do hotel. Automaticamente me tornei um rastafari. Cabelos lavados só quando retornar à Salvador (mentira, amanhã depois do café eu compro). O melhor de tudo é que na empresa onde estou dando o treinamento tem um monte de meninas bonitas, e quem liga? Eu não ligo. E se essa merda desse ar-condicionado me der outro susto desses, eu nunca mais serei capaz de ter filhos.

o o o

Olha que ainda tem a volta.

00:18 - - Idem:

[19.1.08]

beautiful true

"Escolher o amor é encontrar e descobrir quem é para nós. Isto não quer dizer apontar quem pode ser um bom marido, uma boa esposa, o amante, a namorada. Tem a ver com intuição e eleição. E independência.

Sim, escolher o amor é exercer a independência. E, em nome desta independência, serão aceitas todas as dependências naturais, aderentes à relação. Parece contraditório, contudo não é. Só quem está inteiro na sua escolha e é total na direção de seu destino aceita as inevitáveis dependências naturais na vida e no amor. É que, na escolha do amor, está o encontro com a verdade individual e profunda de cada ser, uma verdade sem disfarces, que liberta.

Quem chegou ao amor por independência terá aceito a carga de sofrimentos, sustos, solidão e agressões aí originados. Não considera dependentes certos atos em prol do ser amado que, em outro contexto, seriam feitos com sacrifício, ou pareceriam servidão. E, assim livre, consegue ser feliz nas dependências naturais do amor.

Como o amor, a independência é filha da crise. Escolher caminhos ou pessoas é sempre crise, é conflito. Implica abrir mão, deixar, renunciar, abandonar, para operar a (nova) escolha. E o que se deixa, larga ou abandona, também dói, fere, dá culpa, sobretudo se não nos é indiferente ou descartável.

Escolher é, pois, viver a crise. Também. O verdadeiro sentido da palavra crise é dividir, separar. Provém do grego krisis. Krisis é o ato de escolher, de separar, de julgar. É escolha, julgamento, eleição, divisão. Ao ter que escolher, somos tomados por uma crise, vale dizer, por uma divisão. O fato de estar dividido, fragmentado pelos vários pólos de cada escolha é um ato crítico. Crise é, portanto, uma situação completa de escolha de caminhos ou decisões.

Não há independência sem crise. Logo, não há amor sem crise. E o amor só se torna feliz, se pode escolher e ser escolhido num misterioso ato completo de liberdade."

(Arthur da Távola)

21:42 - - Idem:

oxente

Segunda e terça-feira (21 e 22 de janeiro) estarei em Maceió (AL), trabalhando. O legal é que eu tenho amigos em trocentos cantos do país, e nenhum em Maceió. Uma beleza. Mas se você, ilustre desconhecido, for um leitor de lá e quiser bater um papo comigo, manda um e-mail e marca o local. Porque eu sou um cara muito sociável, saca? ;D

o o o

Beijo do gordo.

11:09 - - Idem:

[15.1.08]

old.o abismo que é pensar e sentir

Ah, parece que minha garota de ipanema se perdeu. Solitária, leve a vagar. Feliz, como músicas em francês que não se consegue entender. Triste como um blues. Porque tudo é tão triste. Ou seria isso uma pergunta? Ai, Deus.

19:24 - - Idem:

[12.1.08]

sleep well

Ela me acorda gentilmente no meio da madrugada, entre pensamentos indefinidos e um aperto imensurável no peito - me desperta de um sono ruim. Ela se faz parecer mais uma dose passageira, sorrateira, uma embriaguez rápida e indolor. Mas ela vem e bagunça de todas as formas um coração. Deixa os copos em cima da mesa, põe os pés no sofá, lança as almofadas ao chão, revira todos os cantos, esquadrinha meus sentimentos. É ela quem detém o poder de tornar um simples caos domiciliar numa existência insuportável. Ela ganha o meu dia, destrói a minha noite, verte lembranças em lágrimas e pretende ir-se embora sem arrumar toda a bagunça feita. Em certo instante não suporto mais a tormenta que ela me traz - de olhos fechados, escondido embaixo das cobertas, suplico em sussuros: me deixa, me deixa aqui, vai.

Guardo meu coração vazio.

20:46 - - Idem:

[8.1.08]

loop

O Los Hermanos está em recesso. O baterista, Rodrigo Barba, está em outra banda: Latuya. Clica lá que as músicas estão disponíveis para baixar for free e, ainda, gratuitamente. Eles são meio que um Móveis Coloniais de Acaju, que por sua vez, são meio que um Los Hermanos. Incrível, ahn?

16:17 - - Idem:

[5.1.08]

silvestre

Eu vou à praia de sunga. Portanto, fico com aquela marca branca ridícula na região do... errr, naquela região. Só que depois eu saio à rua com uma bermuda qualquer, que protege uma parte das pernas, mas deixa os joelhos expostos, fazendo com que nessa região eu fique praticamente um negão. Eu tenho os braços branquelos e desbotados. Eu sou um fenômeno. Acredito fortemente que eu deveria sair no Discovery Channel como o incrível homem multi-colorido. Inclusive eu dançaria o tchan, com o dedo indicador entre os dentes e tudo mais, para provar a minha baianidade. Não que isso tenha a ver com as minhas múltiplas cores, mas não se deve perder tais oportunidades, ahn? Se a Carla Perez ficou rica, porque eu não posso ficar?

By the way, existe profissão mais entediante que narrador do Discovery Channel? Sei lá, é muito chato. Eu no lugar daqueles caras tornaria as falas mais divertidas e incluiria descrições non-sense, como pênis esbravejantes em cada narração:

E então, se aproxima o grande hipopotámo com seu pênis esbravejante à busca de um matinho para se alimentar. Enquanto isso, o grande leão pardo dos olhos azuis, arrastando seu enorme pênis esbravejante, emite o chamado das andorinhas ninjas. As andorinhas se aproximam, e lançam seus shourikens que, cortando o ar feito pênis esbravejantes, atingem o pobre do hipopótamo. O grande hipopótamo morre; não sem antes dizer que também voltará - com seu pênis esbravejante. O culpado é o Sr. Leão, na floresta, com a chave inglesa. Ganhei.

o o o

Tá bem, já parei.

02:27 - - Idem:

[1.1.08]

czarismo

Meu ano-novo foi uma beleza. Estou sem celular, obrigado, mas relevemos. Agora, o melhor é chegar no dia seguinte, encontrar minha irmã na sala, perguntar-lhe que raios está fazendo com um livro de história na mão em plenas férias escolares e ela responder: é que até hoje não sei o que é a revolução russa.

18:32 - - Idem:

home
recomendo
all.about.my.dick
musa.ramalho
ela.nua
sententia
biani.luna
biani.bakudas
livre.essência
caixa.de.sapato
reformatório
guarda.chuva
vida.de.tiago
behind.the.screen
ieda
srta.bia
nova.era.dela
allê
tosco.e.ventre
tantos.clichês
meias.palavras
apenas.ser
caio.andrade
personificar
tanto.a.saber
ouvindo
breaking.benjamin
death.cab.for.cutie
bloc.party
maroon5
juliette.and.the.licks
motion.city.sound.track
legendas
dump: textos antigos e guardados, nunca postados.
old: textos postados em outros cantos.
divagar
errar ao acaso; vagabundear; sair arbitrariamente do assunto que estava sendo tratado; devanear; fantasiar.